HISTÓRIA

Livro que aborda a história de navegações do Rio Grajaú será publicado hoje

A publicação, proveniente de uma tese de doutorado, será lançada nesta quinta, 22, às 19h, na Associação Maranhense de Escritores Independentes (Amei)

Foto: Reprodução

Varando Mundos: Navegação no Vale do Rio Grajaú não é um livro que versa apenas sobre os aspectos ambientais do local, mas dá um amplo panorama da conquista do interior do Maranhão, desde o século XVIII, e a presença indígena naquele território. A publicação, proveniente de uma tese de doutorado, defende que a navegação do Rio Grajaú desenvolveu a região em seu entorno, incluindo o norte de Goiás e o sul do Pará, uniu culturas e encurtou a distância entre o centro-sul e o norte do estado. A obra é do Doutor em História (pela Universidade Federal Fluminense) Alan Kardec Gomes Pacheco Filho, e será lançada hoje, 22, às 19h, na Associação Maranhense de Escritores Independentes (Amei), no São Luís Shopping. No mês passado, o livro foi lançado em Grajaú, sua cidade natal.

Em sua apresentação, o livro diz que a ocupação de colonização do centro-sul maranhense começou a partir dos sertões dos Pastos Bons, na segunda metade do século XVIII. Em busca de novas terras para a criação de gado vacum, os pioneiros “plantaram” muitas fazendas, uma das quais, denominada Chapada, que foi fundada às margens do Rio Grajaú, responsável pela integração de duas civilizações distintas: o centro-sul e o norte maranhense. O Rio Grajaú teve como agentes de integração das duas fronteiras os vareiros, cuja atividade principal consistia em impulsionar canoas cheias de mercadorias.

O autor revisita memórias e descreve situações como a rota histórica dos caminhos de comunicação entre as províncias do Maranhão e Goiás, por trilhas de carros de boi e navegação pluvial.

“Nasci na margem direita do Rio Grajaú. Vivi minha infância continuamente em Grajaú até completar dezessete anos. Minha infância foi Grajaú e Grajaú foi minha juventude. As lembranças de Grajaú ainda me deixam despedaçado; tenho com ela uma relação de amor à cidade natal. Procuro lembrar e sei que lembrar é uma memória, e o esforço que agora faço para organizar aquelas memórias é História. As palavras acima justificam uma parte de meu interesse pelo tema. Contudo, para além do envolvimento pessoal, durante a minha formação, sempre me inquietou a ausência de trabalhos que tratassem da história do centro-sul maranhense”, diz ele em trecho do livro.

O historiador conta ainda que durante sua infância presenciou a chegada de lanchas e batelões vindos de Vitória do Mearim, cheios de mercadorias para abastecimento do sul maranhense e norte de Goiás. O estudo que deu origem ao livro abordou o processo de conquista do Grajaú, em 1811, chegando até 1970, quando o rio perde a importância socioeconômica para a região do sul do Maranhão em decorrência da inauguração da rodovia Belém-Brasília, em 1960.

“Inicio essa história defendendo a tese de que o Rio Grajaú foi o eixo de ligação entre o sul e o norte do Maranhão, tendo a navegação cumprido um papel fulcral para o desenvolvimento socioeconômico do sertão maranhense. A descoberta do Rio Grajaú em 1811 possibilitou que o trajeto fosse feito diretamente do Goiás, da altura de onde hoje é Porto Franco, muito mais perto para comerciantes e fazendeiros colocarem seus produtos em Grajaú, descerem pelo rio até Vitória e dali outras embarcações trazerem para o litoral, para São Luís, do que fazer todo o percurso que faziam para ir até Caixas. Daí a importância do Rio Grajaú para o que eu chamo de ‘encurtamento de distância’, mas que vai ligar essa duas sociedades, a sociedade sertaneja lá do sul do Maranhão e a sociedade litorânea de São Luís.

O autor e suas obras

Alan Kardec Pachêco Filho possui graduação em História pela UFMA (1997), mestrado em História pela UFPE (2001), doutorado pela UFF (2011) e pós-doutoramento pela Universidade de Lisboa (2017). É professor do Departamento de História e Geografia da Universidade Estadual do Maranhão e dos Programas de Pós-Graduação: PPGHIST e PPGDSR da mesma universidade. Coordena o Núcleo de Estudos sobre o Maranhão, Memória, Política e Sertão (NEMPeS), é autor de vários artigos e capítulos de livros, organizou o livro São Luís 400: anos de (con)tradições de uma cidade histórica (2014), com Josenildo de Jesus Pereira e Helidacy Maria Muniz Correa; é autor de: E porque muitos juraram para trair… (2015), Varando Mundos: navegação no vale do Rio Grajaú (2016) e no prelo: Capítulos de História do sertão maranhense.

A paixão pela cidade

O lançamento de hoje é o desdobramento do que foi feito em Grajaú no mês passado, cidade pela qual o autor se declara um apaixonado. “Eu tenho o maior amor do mundo. Inicio o livro para explicar ao leitor porque a navegação no rio Grajaú foi escolhida como tese de doutoramento. Introduzo o leitor nesse universo por eu ter nascido em Grajaú. Como disse Fernando Pessoa, ‘o rio da minha aldeia não é o maior rio do mundo, mas para mim é o maior rio do mundo’. É o rio onde nasci, brinquei. Meu pai era alfaiate, então levava tecido pra molhar… O rio está na minha vida”, contou. Quando foi pesquisar a navegação fluvial para seu trabalho de doutoramento, viu que não havia nenhum estudo sobre o rio no Maranhão. “O rio foi importante para o comércio do litoral com o sul do Maranhão e o norte de Goiás. O Rio Grajaú, durante o verão, não era navegável por barco a motor, apenas por canoas empurradas a vara, por isso o trocadilho do nome do livro”, diz o autor.

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