PARA RELEMBRAR

Beleza Pura completa 10 anos de exibição na TV aberta

Da insistência de Silvio de Abreu e com a direção de Rogério Gomes, surgiu a leve e divertida “Beleza Pura”, que completa 10 anos de exibição este mês

Foto: Reprodução

Do alto do cargo de Diretor de Teledramaturgia Diária da Globo, Silvio de Abreu tem poder suficiente para lançar novos talentos. No entanto, mesmo quando ainda era somente um autor da emissora, ele já era um entusiasta da renovação do quadro de novelistas. Não por acaso, foi ele quem supervisionou as tramas de estreia de nomes como Elizabeth Jhin, João Emanuel Carneiro e Daniel Ortiz, por exemplo.

Em meados de 2007, com a Globo desesperada por conta de uma crise de audiência que se instaurava na faixa das sete, Silvio propôs à autora Andrea Maltarolli sua primeira incursão por novelas mais tradicionais. Conhecida internamente por ser uma das criadoras de “Malhação” – na qual trabalhou de 1995 a 2003 –, Maltarolli já tinha uma sinopse em mãos e contou com a ajuda de seu mentor na confecção dos primeiros capítulos. Da insistência de Silvio e com a direção de Rogério Gomes, surgiu a leve e divertida “Beleza Pura”, que completa 10 anos de exibição este mês. “Li a sinopse e vi que a novela não tinha grandes firulas. Me apaixonei pelos personagens bem desenhados, histórias alinhadas, humor acima da média e o debate sobre a estética e os padrões de beleza. Essa volta ao básico era exatamente o que o horário pedia à época”, explica Silvio.

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O ponto de partida da história é a derrocada de Guilherme, protagonista de Edson Celulari. Engenheiro Aeronáutico, ele acaba de lançar o helicóptero Carcará, cujo um dos primeiros compradores é o excêntrico milionário Olavo, de Reginaldo Faria. Durante a gravação de um programa sobre beleza na Floresta Amazônia, Olavo e seus tripulantes, Sônia, Márcia, Alex e Mateus, de Christiane Torloni, Helena Fernandes, Guilherme Fontes e Rodrigo Veronese, sofrem um grave acidente e são dados como mortos. Por assinar o projeto, Guilherme acaba sendo apontado como principal culpado pelo acidente. Porém, na verdade, o helicóptero havia sido sabotado pela ambiciosa Norma, colega de trabalho apaixonada pelo protagonista desde a faculdade, personagem de Carolina Ferraz. “O Guilherme começou a trama como um grande mulherengo. Aos poucos, as adversidades acabaram fazendo com que ele amadurecesse não apenas como profissional, mas como pessoa. Era um homem que teve de pagar caro por conta da inveja e ambição alheias. Desesperado com a morte da Sônia, ele acabou assumindo seus dois filhos”, lembra Celulari.

Do outro lado da trama está a jovem Joana, de Regiane Alves. Abandonada pela família em um orfanato quando ainda era bebê, ela pouco sabe sobre suas raízes e faz de tudo para desvendar os segredos em torno de sua história. Após contratar um detetive particular, descobre que Sônia também era sua mãe. Disposta a conhecê-la, vai até a casa de sua genitora e, de uma só vez, descobre que ela acabara de falecer e conhece seus irmãos e Guilherme. “O desentendimento entre a Joana e o Guilherme é automático. É um casal que surge do imponderável e essa era a graça da história de amor da trama”, opina Regiane.

Além das armações de Norma, a paixão entre os protagonistas ganha outro inimigo, o médico Renato, chefe de Joana interpretado por Humberto Martins. Entre os mistérios do acidente e a paixão do casal principal, “Beleza Pura” contava com um forte núcleo cômico, com risos divididos entre as trapalhadas de Suzy, dondoca viciada em procedimentos estéticos vivida por Maria Clara Gueiros, e a divertida relação de Ivete e Rakelli, mãe e filha interpretadas por Zezé Polessa e Isis Valverde. “Até hoje o público fala da Rakelli. Foi minha primeira personagem com repercussão popular. Um texto ótimo, divertido e cheio de referências. O sonho dela era aparecer no programa do Luciano Huck”, diverte-se Isis.

Contrariando a hegemonia da Zona Sul do Rio de Janeiro em novelas, Maltarolli acabou centralizando grande parte das tramas de “Beleza Pura” na cidade vizinha, Niterói. Pontos tradicionais da cidade, como o Solar do Jambeiro, o Caminho Niemeyer, o Museu de Arte Contemporânea, a Estação Hidroviária de Charitas e as praias de São Francisco, Icaraí e do Gragoatá, serviram como locação para a trama. “Chegamos a parar a ponte Rio-Niterói para fazer algumas sequências. Redescobrir uma cidade tão próxima foi bem interessante e tiramos a novela das imagens e ambientações de sempre”, analisa o diretor Rogério Gomes. Cerca de um ano após o fim de “Beleza Pura”, enquanto se preparava para sua segunda novela como autora titular, Maltarolli morreu por complicações decorrentes de um câncer de mama. A ideia do futuro folhetim foi utilizada por Silvio de Abreu e Daniel Ortiz em “Alto Astral”, exibida em 2014. “Maltarolli morreu precocemente. Ela estava sempre com boas ideias e fico feliz de ter participado ativamente de sua primeira novela e, tempos depois, ter resgatado um argumento dela e feito outra novela. Foi uma forma de homenagear o talento dela”, emociona-se Silvio de Abreu.

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