APLICATIVO DE PAQUERA

“Não vejo problema nenhum em conhecer alguém pela internet”

Relacionamentos que começaram no mundo virtual se concretizaram. Então, já pensou em começar o ano conhecendo uma nova pessoa e por meios virtuais? Os sites de relacionamentos, que têm crescido no Brasil, apontam para essa possibilidade

Dizem que o amor costuma estar mais perto do que imaginamos. Mas a possibilidade de sair do ciclo social e poder conhecer pessoas de outras cidades e estados aumenta as chances de encontrar o par ideal. A internet, além de ser uma preparação para quem pretende se relacionar, é uma ótima ferramenta para aqueles que têm dificuldade em se expor no mundo real.

Foi assim com o casal Kesia Alves, de 22 anos, estudante de jornalismo, e Leandro Martins, de 27, estudante de engenharia de controle e automação. Eles estão juntos desde junho de 2107 e se conheceram através de aplicativo de relacionamento. No começo, ela ficou muito apreensiva. Não sabia se o que se mostrava na internet seria confirmado na vida real. Eles são de São Luís, mas, quando se encontraram na rede, ele estava de férias em Vitória (ES).

“Eu estava sem fazer nada, quando deu vontade de baixar o aplicativo. No começo, fiquei com medo, por conta da desconfiança e tal… Mas baixei. Demos combinação e começamos a conversar. Passamos um mês apenas conversando e o papo fluindo. Quando ele chegou aqui, saímos para conversar e ficamos juntos”, conta Kesia.

A estudante diz ainda que foi a primeira vez que conheceu alguém pela internet. E que procurou o meio virtual por achar difícil alguém que “desse as caras” no mundo real. “Na internet, a gente olha muito mais pessoas. E de certa forma, mais opções (risos)”, completa.

Quem também se conheceu através da internet foi Ramarys Correia e Tâmara Cristina. Ele, fotógrafo e profissional de marketing, e ela, formanda em Serviço Social, depois de idas e vindas, ficaram noivos e vão se casar em 2018. O encontro real não foi proposital. Antes disso já eram amigos virtuais.

“Quando a conheci, achava superchata e meio infantil, pela foto que ela postava no perfil dela. Aí um dia, um amigo meu, que depois fui saber que era a fim dela, me convidou para sair, só que quem ia dar carona para eles seria eu. Foi aí que a gente se conheceu pessoalmente. Nesse dia, ela passou a noite andando comigo e eu sem entender. Mas, depois desse dia, a gente não se viu mais”, conta Ramarys.

Foi por meio de postagens na rede social que ele percebeu que ela estava triste. Em uma conversa por mensagens, trocaram contatos telefônicos e passaram a se comunicar mais. Ele, na época estava solteiro, mas achava que ela namorava. Mal sabia ele que, naquele dia em que ele ligou para confortá-la, ela havia terminado o namoro.

Mas, somente no ano seguinte, depois de alguns encontros apenas como colegas, eles ficaram, depois de ele saber, durante uma festa no Bar do Porto, que ela estava solteira.

“Ficamos juntos naquele dia. Aí uns 15 dias depois ela disse que não queria mais só ficar, que queria namorar. Aí eu disse que não. Eu tinha acabado de sair de uma relação. E se não dava pra gente ficar, era melhor ficar só na amizade. Mas aí depois de um tempo eu dei o braço a torcer, a procurei e comuniquei para os pais dela que queria namorar com ela. Desde então já se vão seis anos. Noivamos em 2016 e vamos casar em 2018”, diz Ramarys.

Antes de conhecer Tâmara, ele já havia namorado com uma pessoa que tinha conhecido por um site de relacionamento e ficaram juntos por um ano e meio. Para namorar, ele ia para o Rio Grande do Sul e ela, para São Luís. “Mas se não tivesse dado certo com a Tâmara, eu não vejo problema nenhum em conhecer alguém pela internet. Conheço vários amigos que conheceram alguém assim e hoje estão casados, ou namorando e está tudo certo”, lembra.

Foto: Reprodução

Amor maduro

Uma pesquisa feita pelo jornalista Airton Gontow, idealizador do site Coroa Metade, diz que 57% do público maranhense cadastrado no site é feminino. E 46% tem entre 40 a 49, mesma quantidade na faixa etária de 50 a 59. Se a juventude procura relacionamento em sites específicos, o público mais maduro também não fica atrás.

Segundo o jornalista, o Coroa Metade, voltado para pessoas maduras, já chegou à marca de 315 mil cadastros e 54 casamentos realizados. “A idade torna as pessoas mais seletivas. O Coroa Metade é procurado basicamente por homens e mulheres que não têm tempo a perder em encontros sem sentido, mas que ainda acreditam que é possível encontrar a sua coroa metade”, conta Airton Gontow.

O número de pessoas que acessam sites no Brasil através de dispositivos móveis (smartphone e tablet) ultrapassou o desktop, assim como tem acontecido em relação ao uso da internet em praticamente todo o mundo. “As pessoas teclam e conversam pelo mobile nas mesas, nos parques e mesmo caminhando na rua. Não querem esperar chegar em casa para se conectar. E o público maduro não é diferente disso”, diz Gontow.

O site segue o modelo de matchmaker, sites de encontros, surgidos nos Estados Unidos, onde as pessoas preenchem amplos cadastros antes de começar a teclar. O objetivo é traçar o perfil pessoal do eventual parceiro (a) e assim aumentar as chances de encontrar alguém que realmente valha a pena. O cadastro no site é gratuito.

“Constatamos também, em nossas pesquisas e encontros realizados com grupos que têm o perfil do site, que a idade torna as pessoas mais seletivas. Buscamos garantir aos nossos usuários a oportunidade de conhecer com discrição, foco e privacidade pessoas interessantes, com os mesmos valores e objetivos, para compartilhar a dois os grandes momentos da vida”, aponta Gontow.

O cadastro no site, segundo o jornalista, é formado por 38% de homens e 62% de mulheres. O Coroa Metade existe desde 2012.

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