Reprodução

Pode ser diferente em outras regiões do país, mas, no Maranhão, festa junina é sinônimo de Bumba-meu-boi. E tem boi para todos os gostos – são cinco sotaques diferentes! Os bois, principalmente os de orquestra, são os que reúnem mais integrantes. Alguns grupos chegam a ter mais de oitenta dançarinos. Colocar toda essa gente para dançar custa caro. Mas quanto? Essa foi a pergunta que fizemos ao presidente do Boi Valente da Ilha, Arialdo Moraes.

Como a temporada de 2017 mal começou, preferimos fazer os cálculos com base na primeira temporada do Valente da Ilha – a de 2014. Naquele ano, o grupo se apresentou nos arraiais com 36 índias, 24 vaqueiros, além do Pai Francisco, Mãe Catirina e Miolo – que é o sujeito que fica debaixo do boi fazendo todas aquelas acrobacias. O preço de cada indumentária varia. Mas, inevitavelmente, a das índias é sempre a mais cara.

Também não é para menos: as roupas das índias são feitas com penas de verdade. São penas de faisão, cisne, chinchila, pena de pato, rabo de galo e, em alguns casos, até penas de pavão. O preço médio é de R$ 800 por índia. Logo, no primeiro ano, o Valente da Ilha gastou R$ 28,800 só com índias. O custo de cada vaqueiro é menor: R$ 400 em média. Um total de R$ 9,600 com vaqueiros no primeiro ano. Roupas de Pai Francisco, Catirina e Miolo não custam tanto. Mas, em compensação, os três são pagos para dançar: R$ 100 por noite. O boi, peça fundamental, custa aproximadamente R$ 5 mil – já com o bordado do “couro”.

Mas não para por aí: ainda há custo com músicos da orquestra e aluguel de ônibus para transportar os brincantes. No primeiro ano, com 12 integrantes, a orquestra do Boi Valente da Ilha custava R$ 2 mil por noite. Fora os R$ 500 de aluguel de ônibus. Até aqui, custos fixos já somam mais de R$ 43 mil. O custo total de ônibus e orquestra depende do ritmo da temporada – quanto mais noites dançadas, mais custos. Se o boi se apresentar 10 noites, o investimento que era de R$ 43 mil sobe para R$ 63 mil. Fora custos básicos, como água e lanche para manter os brincantes no pique para as apresentações. Faça as contas.

“São custos grandiosos, que, em grande parte, são pagos do nosso próprio bolso. Eu, minha mulher Marta e minha filha Paula investimos grandes parcelas dos nossos salários para conseguir botar o nosso boi na rua. É um investimento que, ao contrário do que muita gente pensa, não nos dá lucro. Mas fazemos com muito amor, dedicação. Como sempre gosto de ressaltar, Bumba-boi é algo sério, de extrema importância para a nossa cultura e o nosso turismo. O apoio que nos dão ainda não é o suficiente, mas permanecemos firmes”, afirmou o presidente Arialdo Moraes.

O presidente do Boi Valente da Ilha fez questão de ressaltar que os custos variam de boi para boi, dependendo da proposta de cada um. “Uma coisa é certa: colocar um boi nos arraiais, por menor que seja, nunca será barato”, finalizou.