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Janeiro, fevereiro… qual é a hora de acertar os ponteiros 

Ruy Ribeiro Moraes Cruz – Psicólogo CRP 22-00582, Advogado OBA/MA 27106 e Mestre pela UFRN em Gestão, Trabalho, Educação e Saúde

O mês de janeiro é alusivo ao Deus da Mitologia Romana chamado Janus, um ser representado como tendo duas faces, uma voltada para o passado e outra olhando para o futuro.

Creio que tal postura desta divindade pode ser facilmente adotada por nós, ao realizarmos um pit stop, que nos faz parar ou reduzir o ritmo, cada um ao seu modo, tendo o intuito de ajustar os objetivos, refletir sobre as relações afetivas sensibilizadas, por exemplo, no natal, ou perspectivas pessoais arguidas no final de ano. Um mês fértil para as transições climáticas e mudanças pessoais.

É claro que muitos, neste instante, buscam a calmaria, escolhendo gozar férias, ou se fazer presente com familiares e amigos, realizarem um check-up na sua saúde física, indo a médicos e realizando exames. Todavia, há quem se perceba fadigado a anos, desestimulado, sem fé e esperança, flertando com a tristeza e com o anúncio de que o pior estar por vir.

Mas como aduz o psicólogo Leonardo Abraão, o janeiro torna-se um mês oportuno para avaliarmos os nossos possíveis erros e formas de corrigi-los, favorecendo que ciclos possam ser fechados e outros iniciados, assim como pedidos de ajuda e suporte emocional possam ser encorajados durante todo o ano.

Precisamos compreender que ao lidamos com a subjetividade, não basta apenas tomarmos decisões sobre o que queremos e desejamos, temos que usufruir de estratégias que nos ajudem a lidar com os pensamentos negativos, nosso limiar de frustrações, emoções e sentimentos.

Afirmo no consultório, que as pessoas que cotidianamente buscam as engrenagens de sua autonomia, tendem a perceber que querer não é poder, e sim um pressuposto para iniciarmos um compasso onde o foco e a disciplina possam ser compartilhados e alinhavados diante da trama que é viver consigo e com a sociedade.

Assim, muitos ansiosos preferem utilizar o tempo contra si, não criam metas simples e possíveis, ao acelerar suas atividades cotidianas como forma de anestesiar os seus sofrimentos e acabam colhendo angústias, só ligando o alarme quando os sintomas já causam desarranjos na sintonia do tic tac do corpo e da mente.

Ingênuos, se auto sabotam, ao apostarem que assim é possível trapacear o viver, consomem conteúdos vazios e se medem pelos anseios e julgamentos dos outros, estes inseguros emocionais, vivem confusos acerca do que já era para ter sido feito ou o que se deve fazer para chegar ao propagado ideal de sucesso.

Mário Quintana, em um dos seus poemas intitulado O Tempo, o representa como sendo um velho cadeirante a ser conduzido por nós servos, onde, “o despertador é um objeto abjeto. Nele mora o Tempo. O Tempo não pode viver sem nós, para não parar”

Nesta reflexão, o poeta me influencia com a afirmativa de que apenas as crianças estão imunes por ignorarem a sua capacidade de responder as tarefas de conduzir “o velho em sua cadeira”, já os demais seres humanos buscam formas de sublimar e fugir, chegando a aderir a vícios, por exemplo.

Caro leitor, acrescento ainda a analogia a esta cadeira de rodas, que com o passar do tempo empurramos questões mal resolvidas e absorvidas ao convivermos com os outros, como se aderíssemos a uma mera distração, que nos faz desleixar o cuidado com a mente, agravando-as com manias, invejas, ciúmes, muletas e chupetas eletrônicas, como já mencionei em artigos anteriores.

Apresento ainda a possibilidade de vermos o janeiro, o fevereiro e os outros meses, não apenas como dicotomia entre faces e ponto de vista distintos, que diante dos “prazeres e dos desprazeres” da vida, nos faz barganhar mudanças significativas ao fantasiarmos com a crença cultural de que o ano só começa depois do carnaval.

Por fim, sugiro que este momento sirva de perspectiva crítica sobre o passado e o futuro e a sua densidade pessoal vivida, como recurso estratégico do presente, de propiciar insights, outras formas criativas e divinas que, ao mesmo tempo, possibilitem a compreensão, nos dê motivação para pôr os ponteiros ajustados a favor da boa hora de priorizar a saúde mental e o cuidado com os demais aspectos que envolvem a qualidade de vida.

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