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Lula mexe no governo e tenta sair das cordas

Raimundo Borges – Bastidores

Entrando na segunda metade do 3º mandato, governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está ilhado num Brasil bem diferente de quando deixou o Palácio do Planalto 15 anos atrás, com a aprovação nas alturas a ponto de eleger a petista Dilma Rousseff e reelegê-la em 2014. Agora, Lula não é o mesmo nem no jeito de lidar com as massas – seu forte desde o tempo de sindicalista. Isso também mudou. Aos 79 anos e perante o mundo das comunicações de altas tecnologias digitais, ele não faz mais sucesso perante o seu púbico como nos tempos do alto-falante, dos palanques e dos programas sociais que remodelaram a vida de milhões de pessoas e serviram de modelo para outros países.

Hoje, o poder político das redes sociais é avassalador e quem o domina são os empresários cada vez mais jovens, no universo de mulheres empoderadas como empreendedoras e muitos trabalhadores vivendo a experiência de ser patrão, nem que seja de si mesmos, enquanto o Congresso é controlado pelo Centrão, a direita, o bolsonarismo, os evangélicos, todos contra o governo ou querendo dele tirar proveito. As mídias de São Paulo e Rio nas mãos de grupos econômicos, jamais aceitaram de bom grado um presidente nordestino, fugido da fome e falando o tempo todo de combater a pobreza com os impostos de quem não paga imposto – uma afronta às elites, com programas de inclusão social.

Mesmo com a economia apresentando quase emprego pleno, o Produto Interno Bruto acima de 3%, superando até os Estados Unidos (2,8%) em 2024, a indústria e o agro num momento de franca expansão, a simples mentira de taxação do Pix, explorada à exaustão pela oposição bolsonarista, além do preço da carne e do ovo, fizeram despencar a popularidade de Lula e crescer a desconfiança no mercado. O Lula-3 ainda não tem uma marca e uma cara que o faça ser lembrado, como ocorreu nos governos anteriores e não consegue manter uma mínima base de governança no Congresso, mesmo tendo o Centrão encarapitado em cargos e mais cargos na Esplanada dos Ministérios.

Só conseguiu aprovar a reforma tributária com a desidratação feita pelas forças que dominam o Congresso e seus tradicionais lobbies. Lula tenta se equilibrar na corda bamba, sacudida pelas mesmas forças de sempre, com a diferença que hoje o Brasil tem uma extrema direita que bota a cara na rua, grita, esperneia, usa e abusa das redes sociais, com o respaldo do mesmo movimento que explodiu com Donald Trump nos Estados Unidos e está arregaçando as esquerdas nos países europeus. Grande parte do povão não dá a mínima para o desenrolar dos processos que ocorre no âmbito da Polícia Federal, da PGR e do Supremo Tribunal Federal contra os bolsonaristas golpistas.

Ninguém presta a atenção nas alta taxas de emprego, na melhoria da renda do trabalhador, nas reformas aprovadas no Congresso, no PIB e na melhoria dos indicadores educacionais. As mídias só reverberam a disparada do preço do ovo, da carne e de um monte de alimentos. São as coisas que estão na cara e no bolso de todos no supermercado e na bomba de combustível. A população quer segurança pública e só vê o crime organizado tomando conta das cidades e até dos pequenos povoados. Mesmo sendo responsabilidade dos Estados, mas o que muitos admiram é o jogo pesado de Donald Trump que escorraçou brasileiros acorrentados dos Estados Unidos, poucos protestaram nas redes sociais.

Em Pernambuco, a desaprovação de Lula subiu de 33% para 50% e, na Bahia, não é diferente, 51%. São estados em que o presidente venceu com folga as eleições de 2022, com 72,12% e 66,9%, respectivamente. Os dados são da Quaest, divulgados na manhã desta quarta-feira (26). Já aprovação foi de 66% para 49%, queda de 17 pontos em Pernambuco. O presidente trocou a ministra da Saúde Nísia Trindade por Alexandre Padilha, tentando dar uma sacudida no governo, mas está chegando a março sem o Congresso aprovar o orçamento de 2025. Portanto, sair das cordas o quanto antes é o maior desafio de Lula, que já pensa até em não ser candidato em 2026.

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