Visando 2022

Flá­vio Di­no e os ce­ná­ri­os fu­tu­ros

Flávio Dino deixou claro que o objetivo é um só: concluir com sucesso o projeto anunciado desde a campanha de 2014 e reiterado em 2018 na busca da reeleição.

Ao promover a maior mudança em sua equipe de governo, com 15 substituições e deslocamentos de um órgão para outro, o governador Flávio Dino deixou claro que o objetivo é um só: concluir com sucesso o projeto anunciado desde a campanha de 2014 e reiterado em 2018 na busca da reeleição.

Como ficou claro, Dino mudou a equipe, mas não apresentou nenhum plano novo de impacto, passando à população a certeza de que as propostas do primeiro mandato precisam ser continuadas, concluídas e não modificadas. Sobre a vinculação da reforma administrativa às próximas eleições municipais de 2020, o governador sequer alimenta especulações. Preferiu firmar posição sobre as ações de seu governo e deixar a movimentação política para o ano das eleições.

Uma eleição não pode ser debatida, imediatamente, sobre o resultado da que acabou há apenas quatro meses. Mais distante ainda estão as de 2022, quando não apenas a sua cadeira estará em disputa, quanto a do presidente da República. E aqui e acolá, o nome de Flávio Dino vem sendo posto como alternativa viável no flanco esquerdo da política brasileira para presidente.

Seja como for, Dino transformou o que seria uma minirreforma de governo numa ampla rearrumação, ora trocando secretários de lugar, ora acomodando a ampla aliança partidária, com substituições. Nessa mexida, ele está procurando ainda ajustar o plano de governo, dando lhe maior dinâmica em meio à crise que não dá sinal claro de esmorecimento.

O governador preferiu dar uma dimensão ampliada à posse dos secretários, com o significado de força política, ao mesmo tempo em que passou o recado de que quem ganhou espaço no governo ganhou, quem não ganhou não ganha mais. Agora é ação para provar ao eleitorado que valeu a pena ele derrubar a oligarquia Sarney.

Vez por outra, Flávio Dino dá uma estoca no governo Bolsonaro, ao mesmo tempo em que procura se juntar a outros governadores para pressionar o Planalto no coletivo sobre as questões gerais que afetam a vida individual de cada estado e município. Sobre as eleições de 2022, ele alimenta as especulações, mas não assume a vanguarda de nenhum momento que o coloque como pré-candidato à sucessão de Jair Bolsonaro.

Essa mobilização de âmbito nacional, Dino adia, se for o caso. Com isso, evita, sozinho, se tornar alvo preferencial dos bolsonaristas e sua sanha ideológica de exterminar comunistas, nem que seja pela sombra de quem eles vejam carregando nas costas uma foice, um martelo e uma bandeira vermelha.

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