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Amigas e vizinhas no Cohatrac II há 17 anos, desde os seus 11 anos de idade, Adília Girão e Heldenir Melo têm muita história para contar. Elas se conheceram quando Heldenir saiu de Tuntum, um município no interior do Maranhão, e se mudou para São Luís com a mãe e o irmão, em busca de uma melhoria de vida na capital. Já Adília, que morava no bairro ludovicense desde os 10 anos, saiu do Pará por causa da saúde da irmã, que tem asma e tinha problemas com o clima do estado onde moravam.

Morando lado a lado desde então, as famílias se aproximaram e as duas compartilham de vários momentos especiais, desde churrascos no fim de semana a experiências mais profundas, como a maternidade. O filho mais velho de Adília, Diego Alexandre, cresceu com a presença de Heldenir na família, desenvolvendo um laço especial com a tia de coração. Já Analice, irmã mais nova de Alexandre, é a melhor amiga de Safira, filha de Heldenir. As duas crescem juntas e aprontam “peraltices” nas mesmas ruas em que suas mães se divertiam e brincavam, anos atrás.

Durante todos esses anos de amizade, Heldenir e Adília, que atualmente têm 29 anos, dizem sair pouco do Cohatrac. “Tudo é de fácil acesso aqui, temos boas escolas e várias linhas de ônibus disponíveis”, comenta Heldenir, afirmando que a estrutura também é boa para a Safira.

Crescendo junto com o bairro, elas viram muitas coisas mudarem. Adília diz que desde que chegou, o Cohatrac já contava com diversos estabelecimentos, mas que ele se expandiu muito com o passar do tempo. “Aqui já tinha quase tudo: escola, clínicas médicas, posto de saúde, supermercados, farmácias… Depois foi surgindo muito mais”, diz ela, lembrando também de como era a estrutura do bairro quando chegou.

“Perto de casa mesmo, onde hoje é a Igreja Nossa Senhora de Nazaré, antes era um terreno cheio de mato e o postinho que tinha por perto se tornou o atual Socorrinho”, lembra, comparando com o bairro onde morava antes, Recanto dos Vinhais. “Lá não tinha escola, então eu estudava no Maranhão Novo. Aqui, ia para a escola a pé, porque fica bem perto”.

Além de estabelecimentos pequenos, o bairro cresceu economicamente e passou a receber grandes franquias, além de contar também com o Shopping Passeio e com o desenvolvimento de pequenos negócios, como acontece com a própria Heldenir, que montou na sua casa um estúdio onde trabalha com design de sobrancelhas. Adília, que atualmente é dona de casa, dá todo o apoio.

O Shopping

Funcionando há três anos no Cohatrac, o Shopping Passeio marca esse crescimento do bairro e tem movimentado a atividade comercial da área, disponibilizando aos moradores acesso a grandes lojas, como Cacau Show, Subway e Bob’s, além de oferecer um cinema para o bairro.

A superintendente geral do shopping, Julianna Buzar, diz que a decisão de instalar o shopping foi motivada pelo crescimento do bairro e do seu entorno. Segundo ela, é registrado um movimento de 167 mil pessoas por mês no estabelecimento, em média. Os números seguem crescendo e ela diz que o pico de movimentação costuma ser registrado na segunda-feira. Ela aponta que isso provavelmente acontece porque além do entretenimento, o local conta com serviços de utilidade pública e de saúde, disponibilizados pelo Viva Cidadão,  por um cartório, pelo Hospital São Domingos, e pelo 4º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo.

“Pegamos o Shopping Passeio como um grande desafio e hoje temos 52 lojas, sendo que apenas 8 lojas estão a comercializar, ou seja, temos mais de 80% das operações comercializadas”, afirma Julianna, explicando que o trabalho é voltado exclusivamente para o público do Cohatrac, que segundo ela tem um perfil diferenciado e um padrão exigente.

Ela diz também que, além de buscar cada vez mais que o público conheça o shopping, a administração também sempre está investindo em oferecer um bom atendimento e programações atrativas para o seu público. “Não é porque é um shopping pequeno que devemos deixar de cuidar da qualidade do atendimento”, afirma, contando também sobre duas grandes novidades do estabelecimento, surgidas em fevereiro deste ano: o Arabian Grill e o Boteco do Bairro, que são os dois estabelecimentos externos do shopping, ou seja, que podem ser acessados tanto por quem anda pelo shopping quanto por quem passa do lado de fora.

Gerente do Boteco, Wandy Fernanda Sampaio diz que o Cohatrac apresenta um grande potencial comercial, além da sua diversidade de estabelecimentos, e que por isso surgiu a decisão de instalar o estabelecimento no local.

“É um bairro com um potencial muito forte, completamente independente de São Luís. Quase uma cidade. Tem tudo: escolas, bancos farmácias, bons restaurantes, só não tinha ainda um boteco nesse estilo que queríamos levar”, aponta. Ela diz que são registrados cerca de 400 clientes por semana, com uma grande rotatividade de quinta-feira a domingo.

Raio X do bairro

História

Surgido e nomeado a partir da Cooperativa Habitacional dos Trabalhadores do Comércio, o Cohatrac começou a ser construído entre 1974 e 1977. O primeiro conjunto habitacional, o Cohatrac I, foi concluído em 1978. Na época, o local continha 875 unidades habitacionais com uma população estimada em aproximadamente 2.625 habitantes.

Com o passar dos anos, as outras partes integrantes do Cohatrac foram sendo concluídas e ocupadas. Os Cohatrac II e III foram entregues entre 1981 e 1983 e o Cohatrac IV (a parte acima do Cohatrac III) foi entregue em meados de 1984.

No entorno imediato do conjunto estão os bairros: Trizidela, Jardim Alvorada, Itapiracó, A.P.A. do Itapiracó, Cohabiano, Villagio, A.P.P. do Rio Paciência, Itaguará, Jardim Araçagy, Parque Aurora, Jardim das Margaridas e Planalto Anil I e II.

População

Segundo levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa da Cidade e Planejamento Rural e Urbano (INCID) no ano de 2010, foram registrados 29938 moradores na área que abrange os Cohatracs I, II, III e IV, o Cohatrac Primavera, o Jardim das Margaridas, o Parque Aurora e do Planalto Anil I, II e III. Nesta área, foram avaliadas 7478 casas, 226 casas de vila ou condomínio e 173 apartamentos.

Segundo informações do IBGE, os dados populacionais não são levantados pelos bairros, já que não há uma lei que especifique os limites desses, apenas em esfera municipal. O trabalho realizado pelo INCID foi baseado nos dados dos Agregados dos Setores Censitários do Censo Demográfico 2010, tarefa realizada pelo IBGE, sendo o setor censitário a área territorial de trabalho do agente recenseador.

Índices sociais

Já segundo estudo publicado em 2015 por Júlia Kátia Borgneth Petrus e Magno Vasconcelos Pereira Junior, o bairro foi apontado com o de menor desigualdade socioespacial – IDSE (0,25%), sendo um conjunto habitado predominantemente por pessoas de classe média.

O índice foi impulsionado pelas seguintes variáveis: % domicílios sem água encanada, % domicílios sem banheiro dentro de casa, % domicílios sem coleta de lixo adequada e % responsáveis não alfabetizados, 0,02, 0,01, 0,01, 0,03, respectivamente. O Cohatrac também deteve o menor índice de IDSE na variável de % responsáveis que ganham de 0 a 1 salário mínimo (0,14).