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MERCADO

Dia da cachaça: passos para escolher uma boa

Com tantas marcas de cachaça à disposição, quais os critérios para escolher uma cachaça boa antes de comprá-la?

Reprodução

Já se perguntou quais são os critérios que definem uma cachaça boa? A melhor maneira de saber se uma cachaça é boa ou não é degustando: avaliando cor, aroma e sabor da cachaça numa taça de vidro e num ambiente adequado. No entanto, podemos seguir um guia para garantir as chances de comprar uma cachaça boa e evitar surpresas indesejáveis.

Registro No Mapa

A certificação da cachaça no Mapa é obrigatória e garante que a bebida segue as condições estabelecidas na Instrução Normativa no 13, de 29 de junho de 2005. Procure no verso do rótulo o número de registro do produto antes de realizar sua compra. Evite adquirir cachaças informais: cachaça sem registro no Mapa podem ter compostos indesejáveis e que fazem mal à saúde como: metanol, cobre e carbamato de etila. 

Inmetro

O Inmetro garante qualidade físico-química da cachaça por meio de uma análise mais rígida do que a do Mapa. É uma certificação voluntária, que visa facilitar a exportação e destacar a bebida no mercado. Cachaças com esse selo devem ganhar pontos extras na hora da escolha. Até 2017, apenas dezessete marcas de cachaça receberam certificado do Inmetro. Entre os componentes extras avaliados pelo Inmentro em suas análises físicos-química está o levantamento da quantidade de carbamato de etila, chumbo e arsênio.

Cachaças Orgânicas

As marcas de cachaça orgânica têm se destacado no mercado pela qualidade e pelo compromisso com o meio ambiente. Elas podem ser identificadas por selos de produto orgânico colados ou impressos no rótulo da cachaça, sendo o mais comum aquele certificado pelo IBD. Adquira rótulos desse tipo para incentivar a produção sustentável e sem o uso de agrotóxicos.

Preços Coerentes

Avalie o preço da cachaça. Estranhe cachaças que se dizem envelhecidas, premium ou extrapremium, mas com preços muito baixos. O envelhecimento da cachaça em madeira promove mais complexidade sensorial ao destilado e impacta o valor final para o consumidor – chega a 50% do custo de produção da bebida. Desconfie também de marcas renomadas com preços muito abaixo do mercado – provavelmente é uma cachaça falsificada, algo infelizmente muito comum.

Selos de Associações

Existem diversas associações de produtores de cachaça no Brasil. Um de seus papéis é monitorar os participantes em busca de padrão e qualidade. Por exemplo, a ANPAQ avalia sensorialmente as cachaças associadas, dando credibilidade e ajudando a fiscalizar a produção da cachaça mineira de alambique.

Informações no Rótulo

Uma das principais carências na comunicação das marcas de cachaça é a falta de informação no rótulo da bebida. Onde foi produzida, quem é o produtor, qual a variedade de cana usada, como foi realizada a fermentação, se é destilada em alambique de cobre ou coluna de inox, em qual madeira envelheceu e por quanto tempo, se é estandardizada, o número do lote – todos esses dados promovem uma avaliação mais completa do produto.

Análise Visual

Com a garrafa fechada é impossível sentir os aromas e sabores da cachaça, mas em garrafas transparentes procure analisar o visual da cachaça. Pegue a vasilhame, agite e verifique se não há elementos em suspensão no líquido – se houver, escolha outra.

Guias, Rankings e Premiações

Se no local de compra não há degustação, fica difícil sabermos outros aspectos sensoriais da cachaça como aromas e sabores. Mas podemos consultar algumas referências como rankings e guias para nos informar sobre as características sensoriais de cachaças de qualidade. 

Cachaça para Caipirinha

Nossa sugestão é comprar uma cachaça pura, que não passou por madeira – que tende a combinar melhor com a acidez do limão taithi. Não é uma regra, mas recomendamos para caipirinhas cachaças com teor alcoólico mediano ou intenso (de 43 a 48%) – cachaças com teor alcoólico ameno (entre 38-42%) podem ficar insossas e aguadas. 

Brasil tem mais de 4 mil marcas de cachaça

O Brasil tem 4.003 marcas de produtos classificados como cachaça e 701 de aguardente de cana registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Os dados estão na publicação “A Cachaça no Brasil: Dados de Registro de Cachaças e Aguardentes” referente ao ano de 2019, que foi lançada em julho, em transmissão ao vivo.

Estão registrados 1.086 produtores de aguardente e de cachaça, sendo que 165 produzem as duas bebidas; 192 produzem apenas aguardente e 729 produzem apenas cachaça.

Para comercializar aguardente e cachaça no Brasil, é obrigatório o registro no Mapa tanto do estabelecimento produtor, estandardizador e engarrafador como dos produtos.

Cachaça

O estado de Minas Gerais ocupa a primeira posição na produção de cachaças, sendo que o número de produtores registrados é quase o triplo do segundo colocado, São Paulo. A Região Sudeste concentra 622 estabelecimentos registrados, sendo que Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro juntos concentram aproximadamente 70% dos produtores de cachaça registrados.

A proporção foi igual ao ano anterior, com a região Nordeste com 129 estabelecimentos, correspondendo a 14,4%, a região Sul com 101, equivalendo a 11,3%, a região Centro-Oeste com 33, (3,7%) e, por fim, a região Norte, com 9 produtores, com a menor parcela, de 1%.

Em relação ao número de marcas de produtos de cachaças registrados, houve um aumento de 9,73% em relação ao ano de 2018.

Aguardente

O número de estabelecimentos registrados aptos a produzirem aguardente teve uma redução de 41,57% em relação ao ano anterior.

Os dez primeiros estados com mais estabelecimentos registrados para a produção de aguardente são Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Ceará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e Bahia.

Considerando o número de marcas de produto aguardente, (701) houve uma redução de 62,35% em relação ao ano anterior.

É dever do Mapa o registro e a fiscalização dos produtores de aguardente e cachaça. Apesar do tamanho do Brasil e a quantidade de estabelecimentos informais, cabe também aos comerciantes e aos consumidores contribuírem para que ocorra uma redução substancial na informalidade, não comercializando e não adquirindo produtos sem registro, que trazem risco à saúde, concorrem deslealmente e não geram empregos formais”, ressalta o Coordenador de Vinhos e Bebidas do Mapa, Carlos Muller.

A importância do Dia da Cachaça

Variedade de cachaças do Mercado das Tulhas ( Foto: Paulo Malheiros)

Branquinha, a bendita, água-que-passarinho-não-bebe, pinga, mé, caninha, levanta-velho, danada. A lista de sinônimos é extensa, a cachaça está presente de várias formas no vocabulário e na história do Brasil. No Dia Nacional da Cachaça, celebrado neste domingo (13), o setor ainda busca o reconhecimento e a valorização da cachaça como produto típico e símbolo nacional.

Para o diretor-executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Carlos Lima, a bebida ainda é uma grande desconhecida da população. “O brasileiro ainda não conhece a versatilidade, a riqueza que existe por trás da bebida. Ainda existe aquela marginalização da cachaça e um grande preconceito. As pessoas ainda preferem beber outros tipos de bebida porque acham que dá mais glamour do que beber uma bebida de qualidade, que é um produto exclusivo do Brasil”, disse.

De acordo com Lima, é um desafio de toda a cadeia produtiva promover a cachaça para o público, inclusive bares e restaurantes. “Muitas vezes, a pessoa que está fazendo o serviço, que está oferecendo o produto, ela mesma não conhece essa riqueza e versatilidade ou já parte do princípio que o consumidor não vai consumir uma cachaça e acaba oferecendo outros tipos de bebida”, explicou.

Ele destaca, entretanto, que já existem estabelecimentos e confrarias de consumidores que desempenham um papel importante de elevar o status da cachaça, assim como eventos gastronômicos. “A caipirinha tem um papel extremamente importante de difundir a cachaça, só que hoje é algo muito além. A bebida vem sendo consumida pura e de outras formas, inclusive na criação de novos drinks e em drinks tradicionais substituindo outros destilados. A gente vem observando nos últimos anos essa mudança de consumo”, disse.

O desenvolvimento de novos produtos pelas empresas e o trabalho da academia na inovação e correção de processos de produção também são lembrados por Lima no trabalho de valorização da cadeia. “Mas, apesar de ser um produto produzido de norte a sul, ainda não existe uma rede nacional de tecnologia da cachaça e que seria importante para o auxílio ao micro e pequeno produtor”, ressalta.

Mercado

A capacidade instalada de produção de cachaça atinge 1,2 bilhão de litros no país, enquanto a produção efetiva fica em torno de 700 milhões a 800 milhões por ano. Apenas 1% do que é produzido é exportado. Em um ano, a cachaça gerou receita de US$ 15,61 milhões (8,4 milhões de litros) em exportações. Atualmente, a bebida é exportada para mais de 60 países.

São mais de 6,3 mil marcas registradas, entre cachaça e aguardente, no setor que gera cerca de 600 mil empregos diretos e indiretos. Carlos Lima, do Ibrac, destaca também a cadeia por trás da cachaça, de geração de renda e fixação do homem no campo, e avalia que, apesar do grande mercado da cachaça estar dentro do país, o volume exportado está aquém do potencial.

Entretanto, os investimentos no setor esbarram na alta carga tributária, que chega a 82% para a cachaça. Segundo o diretor-executivo do Ibrac, a inclusão de pequenas empresas do setor no Simples Nacional, regime tributário simplificado, em 2016, deu um alento, mas grande parcela do volume de produção ainda está sujeito a uma carga tributária elevada.

No ano passado, o instituto lançou um manifesto reivindicando políticas públicas que ajudem o mercado a crescer. Entre elas, o combate à clandestinidade e à informalidade, superior a 85%, segundo o setor, a reavaliação da carga tributária sobre a bebida e a ampliação dos esforços de promoção e de proteção do produto.

Nesse último ponto, este ano a cachaça ganhou o reconhecimento e proteção da Indicação Geográfica da cachaça pela União Europeia, com a assinatura do acordo entre Mercosul e o bloco europeu. As reduções de tarifas também tendem a facilitar os negócios com esse competitivo mercado. Até então, apenas quatro países protegiam a denominação da cachaça: Colômbia, Estados Unidos, México e Chile.

De acordo com Lima, mais importante que o ganho monetário, é a proteção intangível desse ativo que é a cachaça. “Ter a União Europeia reconhecendo a cachaça é como se mandasse uma mensagem do local onde é o berço das indicações geográficas, que existem as mais emblemáticas, como champagne, scotch whisky, produtos alimentícios como parma. E eles reconhecem a cachaça, isso é extremamente importante”, disse.

A indicação geográfica tem o papel de evitar o uso indevido da denominação por terceiros, por produtos que não são originários do Brasil”, explicou.

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