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DESEMPREGO

Jovens nascidos nos anos 2000 têm dificuldades para arranjar emprego

Eles enfrentaram uma taxa maior de desocupação, ao completarem 18 anos, do que os jovens nascidos em 1996, por exemplo

Reprodução

Nascer em uma época onde a internet e outras tantas tecnologias já existiam muda a forma como as pessoas se relacionam uma com as outras e, consequentemente, diversos aspectos da vida. A relação com o emprego é uma delas. Apesar de a tecnologia ajudar em alguns aspectos, com a crise econômica, a geração 2020 pena para conseguir o primeiro emprego. Um levantamento do professor Naércio Menezes, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, mostra que os jovens nascidos no ano 2000 enfrentaram uma maior taxa de desocupação, ao completarem 18 anos, do que os jovens nascidos em 1996, por exemplo. 


A crise que atingiu a geração 2020 pode atrapalhar o rendimento futuro desses jovens, que não conseguem o primeiro emprego adequado. “Há estudos mostrando que, quando você faz 18 anos e chega ao mercado de trabalho em um momento de crise, isso diminui o seu rendimento ao longo de toda vida”, afirma Menezes. O economista ressalta que o processo de experimentação é muito importante.

Para ele, a tecnologia, presente no dia a dia da geração 2020, desde o nascimento, pode ajudar, mas também pode atrapalhar quando a questão é o mercado de trabalho. “A tecnologia traz uma alternativa de emprego em um momento de crise. Pode não ser o ideal, mas é uma alternativa. Então, nesse aspecto, a tecnologia gera emprego. Por outro lado, os empregos tradicionais e formais vão diminuir, já que robôs vão fazer grande parte das tarefas que eram desempenhadas por pessoas”, diz. 


Os milhões de desempregados espalhados pelo Brasil preocupam a estudante de enfermagem Ana Gabrielly, que completará 20 anos em 2020. “Me preocupo bastante com os índices de desemprego, porque eu mesma já passei por esse momento e é bem ruim. É muito complicado você ver uma pessoa pedindo dinheiro na rua ou no semáforo para poder sustentar sua família. A gente vê até pessoas da minha idade trabalhando nas ruas para poder conseguir tirar uma renda”, conta. 


Segundo Menezes, trabalhos informais são alternativas que vão crescer no futuro. “É uma tendência de longo prazo, pois teremos mais flexibilidade no mercado de trabalho. Vai ter mais rotatividade entre empregos e é difícil imaginar que os jovens vão trabalhar em uma única empresa”, avalia. 


O estudante de publicidade Jean Michel, também prestes a completar 20 anos, prefere olhar com otimismo para o futuro. “Apesar de tudo isso, eu espero que seja bom. Acho que, talvez, haverá mais oportunidade de emprego, mais áreas novas. Novas profissões vão ser criadas. Eu tenho esperança nisso. Penso que vou me formar, sim, e vou lutar por isso”. 

Sonhos

Para Jane Farias Ferreira, doutora em processo de desenvolvimento humano e saúde, o espírito positivo e sonhador dos jovens é algo que permanece entre diferentes gerações. “Toda juventude é sonhadora. Nesse ponto, os jovens não mudaram. O que mudou foi o tipo de instrumento, o recurso utilizado para alcançar esses sonhos”, analisa. 
No entanto, a professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) reconhece que sonhos mudaram. “Esses jovens têm uma experiência de relacionamento diferente, constroem família mais tarde. Hoje, o jovem sai de casa não somente para formar uma família, mas porque quer explorar o mundo e entrar no mercado de trabalho”, afirma. (MEC.CL,AP)

Mais afetados

Com dificuldades para entrar no mercado de trabalho, os jovens são os mais afetados pelo desemprego, situação que piora em tempos de crise. No terceiro trimestre de 2019, o número de brasileiros entre 18 e 29 anos de idade procurando vagas chegou a 5,7 milhões, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cinco anos antes, no mesmo período, 3,3 milhões estavam nessa situação. Segundo dados da mesma pesquisa, a taxa de desemprego entre a população, em geral, era de 11,8% no terceiro trimestre do ano passado. Entre os brasileiros de 18 a 29 anos, o índice era de 20,5%, quase o dobro do geral.

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