ALCÂNTARA

Deputado americano é contra uso da base

Hank Johnson criticou o acordo entre Brasil e EUA, que prevê o uso da Base de Alcântara, no Maranhão, pelos americanos para lançamento de foguetes e satélites

Reprodução

Repercute nas redes sociais e nos meios de comunicação no Brasil o discurso feito pelo  deputado Hank Johnson, que usou a tribuna do Congresso dos Estados Unidos, no último dia 27 de setembro, para criticar o acordo entre Brasil e EUA, que prevê o uso da Base da Alcântara, no Maranhão

Em tom de crítica, Hank Jonhson afirmou que naquele momento falava em oposição à expansão do Centro de Lançamento de Alcântara. Segundo o parlamentar americano, “esse acordo entre as administrações de Trump e de Bolsonaro ameaça remover centenas de famílias quilombolas afro-brasileiras de suas terras, deslocando ainda mais comunidades marginalizadas”, disse Jonhson.  Ele acrescentou ainda que: “a Constituição brasileira providencia proteção explícita às terras quilombolas, e Trump e Bolsonaro quebram, descaradamente, desconsiderando essa proteção e tomando posse da terra”, afirmou o parlamentar, que integra os quadros do partido Democrata”.

Em seu pronunciamento, Johnson afirmou que o acordo prejudica os povos originários de Alcântara. “As expansões anteriores dessa base militar removeram mais de 300 famílias. Uma nova expansão dessa base em terras quilombolas poderá remover mais de 800 famílias de quilombolas das suas terras ancestrais constitucionalmente protegidas”, explicou o democrata, para quem o uso da base “desumaniza as pessoas nativas.”

Município conta com 156 comunidades quilombolas

Hank Jonhson ressaltou que aprecia a longa relação da América com o Brasil, contudo não poderia apoiar ações que prejudicam pessoas vulneráveis no Brasil. “Por isso eu me oponho a esse acordo e convoco os meus colegas a fazerem o mesmo”, disse ele ao encerrar o seu pronunciamento.

Sobre a Base de Alcântara

A Base de Alcântara foi inaugurada oficialmente em 1° de março de 1983, data em que foi ativado o Núcleo do Centro de Lançamento de Alcântara (NUCLA), para proporcionar apoio logístico e de infraestrutura local, bem como garantir segurança aos trabalhos que seriam desenvolvidos na área do futuro centro espacial brasileiro.

O município, que está no centro desta polêmica, possui o maior número de comunidades quilombolas do país. De acordo com o levantamento, são 156 comunidades quilombolas certificadas no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), com cerca de 3,3 mil famílias e aproximadamente 22 mil pessoas. Dessas, 700 famílias estão no raio de expansão necessária, caso o Congresso avalize o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) firmado com os Estados Unidos, em março deste ano.

O documento prevê que Washington poderá lançar satélites e foguetes da base maranhense. A base de lançamento de Alcântara é considerada ideal para uso comercial em função da proximidade com a Linha do Equador, o que gera economia de propelente ou combustível do foguete. Porém o território continuará sob jurisdição brasileira. Mas vale lembrar que os Estados Unidos, além das aeronaves, navios de superfície e submarinos nucleares possuem, atualmente, mais de 800 bases militares presentes em todos os continentes, a maioria construída após a Segunda Guerra Mundial

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