INTRIGAS

Troca de farpas e relação complicada entre Janot e Mendes

De amigos de bebedeira nos anos 1980 a ódio mortal, ex-procurador-geral da República e ministro do STF têm um histórico de desavenças nos últimos anos

Reprodução

Rodrigo Janot era procurador-geral da República em maio de 2017 quando entrou armado no prédio principal do Supremo Tribunal Federal (STF) com a intenção de matar o ministro Gilmar Mendes, por insinuações que ele supostamente fizera sobre sua filha.

O então chefe do Ministério Público Federal chegou a ver o ministro, porém desistiu no último segundo. Os hoje desafetos eram amigos nos anos 1980 e chegaram a tomar cerveja juntos na Europa.

Em 2017, quando a desavença entre os dois já era notória, Janot disse, em entrevista no 12º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo, que todas as vezes em que teve de se dirigir “de uma maneira mais dura foi reagindo a uma agressão”.

Na mesma ocasião relatou que os dois tomaram posse no Ministério Público Federal no mesmo dia — 1º de outubro de 1984 — e que, nos anos 1980, durante o período de formação acadêmica de ambos, simultaneamente Janot foi para Itália e Mendes para a Alemanha. “Lá a gente se frequentava, ele nunca veio à Itália, eu fui à Alemanha, nós saíamos, tomávamos cerveja. Nós éramos de um mesmo grupo e depois a vida foi encaminhando cada um para o seu lado. Eu não tenho nada contra ele, é da minha turma de concurso.”

A cena do quase assassinato está narrada, sem detalhes, no livro Nada Menos que Tudo (Editora Planeta), que será lançado na próxima semana. Gilmar Mendes e Janot viviam trocando críticas e indiretas em público: o ministro é crítico dos métodos utilizados pela força-tarefa da Operação Lava Jato, que foi comandada por Janot por quase quatro anos. Janot saiu do comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) em 17 de setembro de 2017.

Em 2016, ambos usaram o trabalho do então juiz federal Sergio Moro para se criticarem diretamente. Janot havia afirmado que os processos da Lava Jato têm ritmo “mais lento” por serem conduzidos por um tribunal, e não pela Justiça em primeiro grau. Mendes respondeu dizendo que a atuação de Moro era muito mais rápida. “Eu acho que há morosidade nas investigações na PGR. Curitiba é muito mais célere do que a PGR. Isso é evidente”, disse o ministro.

Em março de 2017 Gilmar Mendes acusou a PGR de divulgar de forma indevida informações de processos sigilosos. “Quando praticado por funcionário público, vazamento é eufemismo para um crime que os procuradores certamente não desconhecem. A violação do sigilo está no artigo 325 do Código Penal. Mais grave é que a notícia dá conta dessa prática dentro da estrutura da PGR. Isso é constrangedor.”

No dia seguinte, sem mencionar o ministro do STF em seu discurso, Janot rebateu as críticas de Mendes. “Não vi uma só palavra de quem teve uma disenteria verbal a se pronunciar sobre esta imputação ao Congresso, ao Palácio e até o Supremo”, disse.

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