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Momo: anônimo chantageia crianças e adolescentes na internet

Via troca de mensagens, o perfil chantageia e ameaça adolescentes em troca de informações. Saiba as orientações que devem ser seguidas nesses casos

A revolução digital é irreversível. Aparatos tecnológicos, daqui em diante, estarão sempre a postos para todas as pessoas, acessíveis para todas as idades. Por um lado, a adaptação às ferramentas podem deixar nossas vidas menos burocráticas; por outro, a internet pode abrir portas para obscuridades com maior facilidade. No mundo todo, nas últimas semanas, se popularizou a Momo – um contato com o número incomum, normalmente com código que outro país, que utiliza a foto de uma criatura assustadora e nomes em japonês – e alguns casos começaram a ser relatados em São Luís.

Escultura da boneca Momo. Foto: Vanilla Gallery Japan

A Momo, assim como o desafio da Baleia Azul, é um perfil anônimo do whatsapp que entra em contato com pessoas aleatórias e as chantageia. “Passe a noite inteira sem dormir”, “diga o nome completo de sua família”, “se corte” são algumas das perguntas e exigências feitas pelo anônimo que, se não cumpridas, a vítima e sua família são ameaçadas. À primeira vista, elas parecem desconexas; mas, segundo o diretor do Departamento de Combate à Crimes Tecnológicos (DCCT) Odilardo Muniz, as perguntas levam a pessoa a ocasionalmente revelar respostas de perguntas de segurança (aquelas que servem para recuperar o acesso em certos sites, quando se esquece da senha) e a terem suas contas hackeadas, que é quando se mostra o objetivo real do desafio: o golpe.

Na verdade, a foto usada nos diversos perfis autodenominados Momo é de uma escultura de Mulher-Pássaro, exibida em Ginza, Tóquio, em 2016, durante uma exposição sobre fantasmas.

O alvo, assim como a baleia azul, são principalmente jovens, público mais vulnerável. Segundo o diretor, a orientação é de que crianças de menos de doze anos nem tenham aplicativos de mensagens e que os pais tenham atenção dobrada para adolescentes em redes sociais. O que deve se fazer caso uma mensagem desse tipo for recebida, declara Odilardo, é ignorar e denunciar como SPAM. “É o que os antigos diziam: não fale com estranhos”, frisa o delegado. Quando o número recebe muitas dessas denúncias, ele é banido do aplicativo. A pena para esse tipo de cybercrime não chega a dois anos.

O problema torna-se mais sério quando a vítima desses perfis anônimos cumpre exigências em torno de automutilação e às vezes até indução ao suicídio. A psicóloga Nilma Ferreira explica que, para que menos jovens caiam nessas armadilhas, os pais precisam acompanhar a vida dos filhos – seus hábitos, hobbies, do que gostam, além de dialogar e manter relações afetuosas, mas sempre estabelecendo limites para seus desenvolvimentos psicossociais – desta forma, menos vulneráveis, a chance de ceder a tais chantagens é menor. “Esse e outros fenômenos atingem as pessoas de acordo com suas particularidades, suas subjetividades, suas estruturas de personalidade e suas circunstâncias”, afirma a psicóloga.

Baleia Azul

O desafio da Baleia Azul consistiu também na troca de mensagens com contatos anônimos do whatsapp, entretanto o objetivo não era a extorsão, e sim encorajar jovens a cometer suicídio. Esse desafio viralizou em abril de 2017, reacendendo a discussão sobre as consequências da falta de acompanhamento parental na vida de crianças e adolescentes e do perigo fruto do excesso de liberdade que jovens têm no meio cibernético.

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