Quem matou Lucas?

Polícia ainda não possui resposta sobre assassinato de Lucas

O caso vem se tornando uma incógnita para a polícia de São Luís. Um adolescente de 17 anos foi assassinato brutalmente e o corpo foi encontrado na Divinéia,

Após oito dias do crime, nenhuma informação sobre o possível assassino, que esfaqueou o garoto várias vezes e ainda o degolou.

O caso do rapaz Lucas Silva de Oliveira, de 17 anos, que foi encontrado morto com o pescoço degolado em uma pista de Motocross no bairro da Divinéia, na última quinta-feira (1), continua uma incógnita. A Superintendência de Homicídios e Proteção a Pessoa (SHPP) ainda não tem respostas sobre o assassinato do rapaz. A polícia alega que a última hipótese a ser trabalhada é a de que o jovem tenha sido morto por homofobia.
Segundo o Delegado George Marques, da delegacia de homicídios e que está à frente do caso afirma que as investigações já foram iniciadas e que nos próximos 30 dias pretendem finalizar o inquérito. “Já foram ouvidas aproximadamente seis pessoas, dentre elas familiares e amigos e ainda durante essa semana estaremos interrogando outros mais”. Perguntamos ao delegado se o rapaz era  usuário de drogas “Alguns índices aponta que o rapaz era usuário, porém nada comprovado. Estamos aguardando o exame cadavérico do IML e a perícia do ICRIM. Podemos adiantar que trabalhamos todas as hipóteses e que a última linha de investigação que vem sendo trabalhada é a de homofobia, lembrando que isso devido aos depoimentos ouvidos”, concluiu o delegado.
O MEDO
O delegado George Marques ainda afirma que está havendo certa dificuldade para conseguir os depoimentos de familiares, vizinhos e amigos da vítima, pois segundo ele a região é abraçada por um grande centro de tráfico de drogas. “Alguns suspeitos já foram apontados, porém existem familiares que já foram ameaçados se falassem algo, para isso pedimos quem puder ajudar a polícia a solucionar o crime que entre em contato pelo DISK DENÚNCIA através do Whatsapp 99224-8660, garantimos 100% do anonimato”, falou o delegado. Segundo ele, o próximo passo agora será rastrear as ligações do aparelho celular da vítima para ver as chamadas e últimas conversas no dispositivo.

Devido às ameaças que familiares vêm sofrendo pelas represálias de traficantes, uma pessoa próxima da vítima concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal O Imparcial e disse que o crime se trata sim de homofobia. “Eu havia conversado com Lucas há mais ou menos um mês e disse ‘olha Lucas esse tipo de gente não é bom se relacionar’. Eu desconheço que ele use drogas, mas sabendo a área que ele mora pelo simples fato dele ser gay eu vejo motivo para o ódio desses criminosos”, disse o anônimo.
JUSTIÇA
No último domingo (4), parentes e amigos da vítima fizeram uma passeata pedindo justiça. O ato começou nas proximidades do posto policial no bairro Divinéia e encerrou no local onde o corpo foi encontrado. A mãe de Lucas, Lucivânia Rocha, pede uma solução imediata para as autoridades. “Nós precisamos de uma resposta. Eu preciso saber qual o motivo de terem feito isso com meu filho, quem foi o coração de pedra que fez tamanha crueldade com ele. Ele nunca fez mal a ninguém. Sempre foi amado por todos”, falou a mãe da vítima.
O CASO
Segundo a família Lucas Silva saiu de sua residência na quarta-feira, às 18h, para deixar uma prima em casa e desde então não retornou. No dia seguinte, o corpo do rapaz foi encontrado na manhã da última quinta-feira (1º), próximo a um posto de gasolina na Estrada do Araçagy, em São José de Ribamar, a 32 km de São Luís. De acordo a polícia a pessoa que encontrou o corpo da vítima também não foi identificado.
DADOS
Segundo o Conselho Estadual LGBT 12 homicídios já foram cometidos só este ano em todo o estado maranhense. Segundo Airton Ferreira, presidente do conselho, cobranças vem sendo feitas diariamente as autoridades pela justiça dessas vítimas. “E temos obtido resultados existem apenas dois casos que seguem em investigação incluindo o mais recente que é o do Lucas. Entre esses 12 estão transexuais e gays. E o conselho está pressionando diariamente as autoridades pela segurança de nossa classe e pela prisão desses autores”, disse o presidente.
Apenas no primeiro quadrimestre deste ano, 117 pessoas foram assassinadas no Brasil devido à discriminação por gênero e orientação sexual, conforme levantou o Grupo Gay da Bahia (GGB). O número subiu 18% em relação ao mesmo período de 2016. De acordo com o relatório da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA), o país ocupa o primeiro lugar na quantidade de homicídios de LGBTs nas Américas, com 340 mortes por motivação homofóbica no ano passado.

Já segundo o último levantamento do Grupo Gay da Bahia, 2016 foi o ano com o maior número de assassinatos da população LGBT desde quando a pesquisa passou a ser feita pelo movimento, há 37 anos. De 130 homicídios em 2000, saltou para 260 em 2010 e para 343 em 2016.

Em nota da morte do jovem Lucas o conselho diz:
O Conselho Estadual Lgbt do Estado do Maranhão dentro de suas atribuições legais repudia qualquer ato de violência ou descriminação a população Lgbt em geral. E vem através desta nota repudiar o fato ocorrido no último dia 01 de junho de 2017, ao jovem Lucas Carvalho, que teve a vida ceifada e interrompida no auto de sua juventude, principalmente por demostrar ser Lgbt.
Afirmamos nosso compromisso com a luta por Direitos Humanos, e proteção, a violação de direito e violência a todos e todas sendo Gays, lésbicas ,Travestis e Transexuais. O jovem Lucas, era um garoto extrovertido alegre e cheio de vida ,que não merecia ser massacrado e morto da pior forma possível tirando assim seu direito a vida, uma vida ainda em construção pois era adolescente, e gozava de total liberdade de seus atos e direitos a viver sua livre orientação sexual. Pensamos na vida do jovem Lucas, como mais uma que não virara estatísticas nos anais da historia e cobramos assim do poder publico, segurança, e justiça a este caso e tantos que lotam nossos números.
No mais reafirmamos diante deste Conselho, o dever de cobra através da justiça que seja pego julgados e punidos por tal barbárie os que as cometeram. Somos livres diferentes, porem iguais no direito e no dever social de estarmos presente a cobra por solução. Reiteramos que o direito da vida cabe a todos e todas, dependendo de cor , raça ,sexo, orientação sexual e identidade de gênero. E expressamos também total solidariedade aos familiares que neste momento lamenta e chora a dor da perda. Em nome deste jovem rapaz, possamos ver os culpados punidos na forma da lei.

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